Novidades - 4 de outubro de 2013

Por que os EUA ainda dominam a música pop?

O Rock in Rio acabou, e uma certeza ficou: os Estados Unidos ainda dominam a música pop. Mas por quê?

Você não foi o único que ficou surpreso. Será que a Beyoncé virou fã do funk brasileiro? E Bruce Springsteen, desde quando curte Raul? De repente, a música brasileira pareceu ser mais interessante do que imaginávamos. Mas nossa surpresa não deveria ser tão grande. A indústria de entretenimento norte-americana é velha conhecida de assuntos que outros países parecem nem lembrar, entre eles, o marketing. O público brasileiro é hoje um dos maiores consumidores mundiais do que quer que seja, e isso inclui entretenimento.

Com o amadurecimento da cultura do “vender a qualquer preço”, surge na década de 50 nos cursos de administração norte-americanos uma área chamada Market Studies, que mais tarde se tornaria o Marketing. Foi graças àqueles estudos que um novo tipo de público consumidor foi descoberto: os jovens.

Seja no jazz da década de 20, no swing dos anos 30 ou na onda pop liderada por Frank Sinatra nos anos 40, a música sempre foi feita para adultos. Em meados do século XX, porém, a geração de baby boomers nascidos no pós-Guerra começava a ter idade para consumir. Some os sonhos de prosperidade econômica e as esperanças nas tecnologias de guerra recém liberadas para o mercado e terá a geração com maior potencial consumidor conhecida pelos Estados Unidos até então. Em uma pesquisa de 1958, que avaliou os padrões dos adolescentes do país, descobriu-se que eles gastavam 9 bilhões de dólares por ano – e acredite, este valor era muito alto na época – e tinham grande influência nos gastos dos pais. Daquela quantia gasta, entre roupas e carros estavam, é claro, milhões de discos.

A indústria percebeu que entretenimento era negócio sério, e passou a criar os Elvis Presleys que o mundo conheceria nas décadas seguintes. O segredo da música pop norte-americana é, na verdade, exatamente este: o entretenimento é levado muito a sério por lá. Hoje, esta é a indústria que mais fatura, logo atrás da aeroespacial.

O poder da criação de personagens pop norte-americanos se estabelecera como o mais poderoso do mundo, logo atrás dos britânicos. Quem não quer ser o vocalista de uma banda de rock, ou uma cantora sexy que dança com a facilidade de uma bailarina?

A indústria de entretenimento norte-americana tornou-se tão forte que criou mecanismos diversos de sustentabilidade. Os maiores mediadores de conteúdo musical foram criados lá: Billboard, Rolling Stone e MTV – que apesar de balançados com a internet, ainda hoje são referências para muita gente. Nossos heróis do cinema também vêm dos EUA, e ajudam a reforçar sua aura de nação criadora de seres humanos com super poderes.

Fora os investimentos em apelo visual, a criação de personagens e a produção musical com o intuito inexorável de vender para o maior número possível de pessoas, a indústria pop americana fez outro movimento perspicaz. Esses fatores já não são mais suficientes; é preciso chegar mais perto do público – ou, para ser mais exata, do consumidor. E para isso, nada melhor do que o uso planejado das redes sociais, como fazem com maestria Rihanna e Justin Timberlake, por exemplo. Em segundo lugar, a globalização pede que se dê importância a outras culturas, e que isso seja feito de verdade, ao vivo e a cores, exatamente como Beyoncé e Springsteen fizeram no Rock in Rio. Pode soar triste para alguns, mas para eles é um processo tão natural quanto cantar e dançar. É parte do jogo.

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