Novidades - 5 de dezembro de 2013

Em tempos de Jetsons, Retrô é novidade!

Marketing retrô apela para nostalgia e saudosismo na hora de vender

Tem alguma coisa mais gostosa do que o retrô? Relembrar e reviver um tempo em que muitos de nós nem éramos nascidos, que só conhecemos através de filmes e música. Quem nunca pensou que preferiria ter vivido numa época mais leve e “feliz”? Como Caetano cantou em “Alegria, Alegria” – “Sem lenço, sem documento /  Nada no bolso ou nas mãos / Eu vou….”.

A onda retrô chega com cada vez mais força no país e as empresas apostam na nostalgia para conquistar clientes, seja com produtos novos que mantenham características antigas, seja com produtos antigos em perfeito estado de conservação. Segundo o estrategista em marketing Gabriel Rossi, a iniciativa sempre surge em tempos de turbulências políticas, econômicas e culturais.

“Nessas circunstâncias as pessoas tornam-se nostálgicas. São produtos que representam integridade, estabilidade e felicidade. Nesses casos, as marcas tentam ajudar os consumidores a se sentir bem em relação ao mundo. Consumidores tendem a acreditar que dias do passado são dias melhores. As pessoas sentem carinho por lugares e produtos que evocam e remetem tempos mais felizes e saudosos. Geralmente o propósito dessas marcas é apoiar a ideia da lenda, nostalgia, permanência e longevidade”, afirma Rossi.

Além da marca Havaianas, que vem apresentando propaganda em televisão rememorando estrelas de campanhas publicitárias, a Brastemp, por exemplo, tem uma linha de produtos vintage. São geladeiras, fogões e frigobares com design antiquado.

As influências também são percebidas na música, que evoca ritmos e sensações de décadas passadas mescladas com a tecnologia dos novos arranjos. O grupo Daft Punk lançou recentemente uma regravação da música “Lose Yourself to Dance” de Steve Wonder. O clipe, com o videoclipe original da música já conta com mais de 8 milhões de visualizações no YouTube e mostra a irreverência e simplicidade de uma época em que o mais importante era “se soltar”. Diferente dos tempos atuais, de raves, bailes funks e reis do camarote.

Cores neon, aparelhos de jukebox espalhados pelas boates, lojas e vestuário inspirado na saudosa década de 80 invadem as cidades. São Paulo chegou até a ganhar festas e danceterias temáticas.

O poder dos ‘bons velhos tempos’ para vender é bastante evidente quando as marcas evocam noções de herança, tradição e originalidade, tudo isso ligado à identidade central da marca”, ressalta Rossi.

Os exemplos são muitos. A fábrica de brinquedos Estrela relançou produtos que fizeram sucesso nos anos 1980, como o Genius, primeiro jogo eletrônico vendido no Brasil. “Consumidores tornam-se nostálgicos para as coisas simples e genuínas, coisas que eles percebem como clássicos. Coisas autênticas que causam uma sensação de déjà vu. Nada evasivo. Nostalgia sempre foi um mecanismo de encantamento para os consumidores. Quando os mercados, governos e outras instituições importantes deixam de entregar de alguma forma bem-estar, o consumidor recorre a outras fontes para não perder a  esperança. Eles vão se dirigir para marcas que buscam os bons e velhos tempos, com a promessa de experiências seguras e familiares”, finaliza o especialista em marketing.